viernes, 16 de septiembre de 2016

"Ele escrevia para melhorar a vida", diz filha sobre obra de Rubem Alves

14/09/2016 07h00 - Atualizado em 14/09/2016 07h00

Escritor completaria 83 anos nesta quinta-feira (15); ele morreu há 2 anos.

Ele foi um dos maiores intelectuais do país e deixou textos em várias áreas.




http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/09/ele-escrevia-para-melhorar-vida-diz-filha-sobre-obra-de-rubem-alves.html
Do G1 Campinas e Região

Escritor e teólogo, Rubem Alves completaria 83 anos, em 2016 (Foto: Instituto Rubem Alves)Escritor e teólogo Rubem Alves completaria 83 anos em 2016 (Foto: Instituto Rubem Alves)
"Houve um tempo em que fui criança como vocês. Mas o tempo passa e aquilo que era deixa de ser. O tempo é isto: o poder que faz com que coisas que existem deixem de existir para que outras, que não existiam, venham a existir", escreveu o poeta, cronista, teólogo, filósofo, psicanalista e educador Rubem Alves em um de seus livros. Veja Galeria de Fotos.
Há dois anos, o escritor, que é considerado um dos maiores intelectuais do país, morreu emCampinas (SP), onde viveu por muitas décadas. Nesta quinta-feira (15), Alves completaria 83 anos.
Para relembrar momentos da vida e da carreira do educador, o G1 conversou com a filha caçula dele, Raquel Alves, que deixou a arquitetura para manter viva a memória do pai no Instituto Rubem Alves, em Campinas. "Ele escrevia para melhorar a vida que incomodava e machucava. Não havia um plano para isso”, explica.
Ele percebeu que tudo o que ele produzia era muito duro e ligado ao academicismo. Então, ali, ele decidiu que escreveria apenas o que o coração pedisse"
Raquel Alves, filha
Escrever com coração
E foi de forma não programada que os textos do escritor que falavam sobre a vida surgiram em sua trajetória.
Eles vieram apenas após o nascimento de Raquel. Antes, Alves tinha uma carreira totalmente voltada para o mundo científico. Ele se dividia entre as aulas na Unicamp e na Universidade de Rio Claro.
Mas, tudo mudou após a chegada da filha caçula. Segundo Raquel, já na sala da maternidade, ele começou a repensar seu trabalho. “Ele percebeu que tudo o que ele produzia era muito duro e ligado ao academicismo. Então, ali, ele decidiu que escreveria apenas o que o coração pedisse”, explica.
Raquel ressalta ainda que quando ela tinha 5 anos, o pai defendeu sua livre docência em filosofia política na Unicamp e que, a partir disso, se sentiu mais livre para tratar de diferentes assuntos. “Isso deu a segurança de que ele não seria demitido. Ele tinha mais liberdade para falar o que quisesse”, destaca.
Por isso, em 1982, ele produziu suas sete primeiras histórias infantis, e a partir disso, iniciou uma vasta produção de livros. "Eu vejo que ele estava entalado e começou a produzir e resultou em um estouro. Essa foi uma época de produção constante [...] nessa época ele já estava livre, então ele se dedicou à escrita e dava muitas palestras”, conta.
E mesmo se dedicando fielmente à carreira ao longo de sua vida, Raquel ressalta que o pai nunca deixou que ela e os dois irmãos se sentissem sozinhos. “Ele era um pai muito ocupado, viaja e trabalhava muito. Mas, no momento em que ele estava com a gente, ele estava inteiramente. Por mais que ele viajasse e a gente sentisse saudade, nunca teve uma sensação de vazio, porque ele preenchia muito a gente”, lembra.
Rubem Alves ao lado de um ipê amarelo (Foto: Instituto Rubem Alves)Rubem Alves ao lado de um ipê amarelo (Foto:
Instituto Rubem Alves)
Paixão por ipês amarelos
A filha conta também que durante a vida o pai sempre demonstrou uma paixão especial por ipês amarelos.

"As outras árvores fazem o que é normal – abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está pra chegar, com seu calor e chuvas. O ipê faz amor justo quando o inverno chega, e a sua copa florida é uma despudorada e triunfante exaltação do cio", escreveu Alves em um de seus textos.
Para o escritor, os ipês ensinavam lições para pessoas, que deviam se abrir para o amor, também, durante o inverno. Além disso, ele afirmava que a árvore ressaltava a exuberância da vida.
A paixão por essa árvore era tão forte, que antes de morrer, o escritou entregou uma carta de 10 páginas aos filhos dizendo que gostaria de ser cremado e que suas cinzas deveriam ser jogadas embaixo da sombra de um ipê amarelo enquanto seriam lidos textos de seus poetas preferidos, como Cecília Meireles e Fernando Pessoa. Segundo a filha, o pedido foi atendido integralmente.
Legado
De acordo com Raquel, durante toda sua vida, Alves sempre teve uma preocupação grande com suas obras, que ele considerava como filhos. “Ele tinha consciência de que tinha muito livro, muito material e que alguém teria que cuidar. [...] Ele sempre falava para mim, alguém tem que cuidar da minha obra", lembra.
A filha afirma ainda que o escritor só morreu depois que teve certeza que suas obras estavam em segurança. "O sonho dele era que a obra dele fosse cuidada. Era que tudo que ele plantou não morresse junto com ele e o instituto foi o formato encontrado. Tanto foi isso que quando ele recebeu o instituto [...] ele partiu 51 dias depois", contou a filha.
Mineiro
Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933 em Boa Esperança, no Sul de Minas Gerais, mas morou boa parte de sua vida em Campinas.
Ele foi educado em família protestante e estudou teologia no seminário Presbiteriano do Sul. Virou pastor de uma comunidade presbiteriana no interior de Minas e casou com Lídia Nopper, com quem teve os filhos Sérgio, Marcos e Raquel.
"A vida dele em Lavras como pastor era cuidar dos pobres e das pessoas que procuravam ele, sem querer catequizá-los, simplesmente dar cuidado e amor", conta a filha.
O autor afirmava que descobriu que podia escrever para crianças ao inventar histórias após o nascimento da caçula.
Rubem Alves com 3 meses de idade (Foto: Instituto Rubem Alves)Rubem Alves com apenas três meses de idade
(Foto: Instituto Rubem Alves)
Em 1963, viajou para Nova York para fazer uma pós-graduação. Retornou à paróquia em Lavras (MG), no período da ditadura militar, e foi listado entre pastores procurados pelos militares.
“As listas de acusações eram absurdas, coisas do tipo que ele obrigava meus irmãos a escreverem em rótulos de Nescau blasfêmias contra Deus, sendo que meus irmãos nem eram alfabetizados naquela época”, conta.
Depois disso, saiu com a família do Brasil e foi estudar em Princeton, também nos Estados Unidos, onde escreveu a tese de doutorado, que foi publicada em 1969 por uma editora católica com o título de 'A Theology of Human Hope' (Teologia da Esperança Humana).
Retornou ao Brasil em 1968 e saiu da Igreja Presbiteriana. No ano seguinte foi indicado para uma vaga de professor de filosofia na atual Unesp, onde permaneceu até 1974. No mesmo ano, entrou no Instituto de Filosofia da Unicamp, onde fez uma longa sua carreira acadêmica até se aposentar na década de 1990. Em 1984 iniciou o curso para formação em psicanálise e teve uma clínica em Campinas até 2004.
Sarau
Nesta quinta-feira, para homenagear o poeta, o Instituto Rubem Alves, que fica no Jardim Chapadão, irá promover um sarau gratuito com música, sopa, vinho e poesia, como o escritor gostava, a partir das 20h.
Interessados em participar devem fazer inscrição antecipadamente pelo telefone 3386-0704.
Rubem Alves com sua filha Raquel  (Foto: Cláudio Araújo)Rubem Alves com sua filha Raquel (Foto: Cláudio Araújo)

sábado, 3 de septiembre de 2016

Jairo Marques, Biografia póstuma descreve sede por liberdade de Rubem Alves (2015)


Biografia póstuma descreve sede por liberdade de Rubem Alves


Passado um ano da morte do escritor Rubem Alves (1933-2014), seus admiradores podem ter uma oportunidade valiosa: experimentar a impressão de que estão conversando com o consagrado educador e colhendo dele um pouco mais de suas histórias, conceitos relativo à vida e detalhes de sua trajetória.
Em "É uma Pena não Viver - Uma Biografia de Rubem Alves" (editora Planeta), Gonçalo Junior, com vastos elementos de pesquisas, constrói o ambiente que acolheu a infância de Rubem, no interior mineiro, passando por sua formação intelectual, pela vida religiosa e por sua obsessão por liberdade.
Maria do Carmo/Folhapress
O escritor Rubem Alves em sua casa em Campinas, em retrato feito em 2005
O escritor Rubem Alves em sua casa em Campinas, em retrato feito em 2005
Ao longo de suas 477 páginas, a obra -autorizada pela família- entrelaça o trabalho de campo do autor, que fez 30 entrevistas e contou com documentos inéditos repassados pelo Instituto Rubem Alves, com interferências de trechos de crônicas e declarações de Rubem.
"Tive muita preocupação com os fragmentos de memórias usados. Não poderia criar um descompasso com a poética e com o modo de falar do Rubem", afirma o autor.
O espírito contestador do escritor é respeitado até na explicação de como ele ganhou paixão pela leitura, em trecho literal de sua fala.
"Não aprendi com a gramática. Dizem que os jovens não gostam de ler. Mas como poderiam amar a leitura não houvesse alguém que lesse para eles. Aprende-se o prazer da leitura da mesma forma que se aprende o prazer da música: ouvindo."
Do traumatizante bullying sofrido no colégio devido a seu sotaque carregado e pela condição de pobreza na infância, passando pela questionadora carreira de pastor da igreja Presbiteriana, pela perseguição e pavor vividos durante a ditadura militar até o mergulho no universo da educação e da humanização, o livro vai formando o "encantador de palavras".
"Cinco anos antes de morrer, Rubem fez um roteiro para um documentário sobre a sua vida, que acabou não sendo rodado. Tive acesso a esse documento e procurei seguir aquele caminho. Ele havia reprovado duas biografias anteriores, mas penso que ele iria concordar com a minha", diz Gonçalo Junior.
Parte densa da obra é dedicada a um período de intenso sofrimento para o professor -que fez carreira na Unicamp e foi um dos palestrantes sobre educação mais importantes do país-, o da ditadura (1964-1985).
Segundo o autor, "a fase foi muito importante, porque Rubem se viu acuado, censurado. Passou por dificuldades financeiras e teve de se exiliar nos EUA. Sofreu pressão tanto de militares como da própria igreja de que era pastor."
O escritor com sua veia mais engraçada, como defensor das diferenças e de valores humanos, tal qual conheceram mais de perto leitores desta Folha, onde Rubem foi colunista por três períodos, a partir da década de 1980, aparece com mais força a partir do capítulo nove.
Em "Histórias para Raquel Dormir", uma referência aos contos infantis criados pelo filósofo para a filha, Rubem começa a surgir com mais lirismo e com mais momentos emotivos. Mesmo assim, seguem na caracterização os ideais de liberdade e a crítica do "não viver" plenamente.
"O livro se chama 'É uma Pena não Viver' porque, para Rubem, não bastava existir, era preciso aproveitar tudo o que a vida proporcionava de maneira intensa. Ele foi subversivo até o fim", diz Gonçalo.

É UMA PENA NÃO VIVER
AUTOR Gonçalo Junior
EDITORA Planeta

sábado, 9 de agosto de 2014

El encuentro tardío, pero enriquecedor, de Rubem Alves con la poesía (I)

8 de agosto de 2014

Desde hace unos años tengo perdida mi respetabilidad académica. Nadie me la quitó, pero un buen día, por razones que no me sé explicar, algo sucedió en mí. No sé qué me pasó, mas lo cierto es que de repente me descubrí incapaz, en absoluto, de pensar, hablar y escribir analíticamente. Fui poseído por la forma poética y sigo por ella poseído cuando escribo. Aunque esto me gusta, me crea también muchos problemas con auditorios científicos y académicos, porque esa gente no cree que la poesía sea algo serio; sin embargo, yo creo que es la cosa más seria: creo que Dios es poesía. Si pudiese hacer una nueva traducción del texto de Juan: “y el Verbo se hizo carne”, pondría “y un Poema se hizo carne”.[1]
R.A., “Cultura de la vida”

El encuentro tardío, pero enriquecedor, de Rubem Alves y la poesía (I)Ciertamente el acceso de Rubem Alves a la poesía fue tardío, pero llegó a ser definitivo, enriquecedor y sumamente placentero. Las líneas que presiden este texto dan fe de cómo, en un momento determinado de su vida, experimentó un “giro poético” que impactó la totalidad de su pensamiento, en todos los sentidos. Incluso la manera en que se orientó su escritura, sin buscar escribir poemas como tales, manifestó una ruptura más, de entre las varias que sufrió, aunque en este caso el “golpe” de la “forma poética” resultaría determinante para vaciar en ella todo lo que escribiría luego de haber sido reconocido como teólogo y educador. Lado a lado con sus preocupaciones permanentes, la poesía lo acompañó permanentemente y nunca lo abandonó, pues por el contrario, el conocimiento de los autores que lo marcaron iluminó profundamente su obra.

El momento de dicho encuentro no podría fecharse con total certidumbre, pues si a fines de los años 80 tenía tan claro lo que le había sucedido, el paso del tiempo le aclararía aún más ese proceso de cambio. Así lo describió en una breve crónica de Quarto de badulaques (2003; en español: Cuarto de cachivaches, 2009), un “cajón de sastre” sobre múltiples temas, en la que hace un recorrido muy personal del asunto. Primeramente manifiesta el asombro por lo sucedido: “Descubrí la poesía tardíamente, después de rebasar los cuarenta años. ¡Qué pena! ¡Cuánto tiempo perdido! La poesía es unja de mis mayores fuentes de alegría y sabiduría. Como dice [Gaston] Bachelard: “Los poetas nos dan una gran alegría de palabras…”.[2] Podría decirse que tras toda una vida la poesía le llegó demasiado tarde, pero él sentía que no fue así.

Inmediatamente después se dirige al lector o lectora hipotéticos: “Por eso te pregunto: ¿lees poesía? Si no lo haces, trata de hacerlo. Cambia los programas de televisión por la poesía”. Y agrega una serie de observaciones creativas sobre los prejuicios tan extendidos sobre su comprensión: “Si me dices que no entiendes la poesía, aplaudiré: ¡qué bueno! ¡Solamente los tontos creen que la entienden! ¡Solamente los oradores tienen la pretensión de entender la poesía!”. Después, expone con vehemencia lo que entiende como su propósito mediante varios ejemplos y una propuesta concreta: “La poesía no es para eso. Es para ser vista. ¡Lee el poema y trata de ver lo que él pinta! ¿Necesitas entender un lunar? ¿Una nube? ¿Un árbol? ¿El mar? Basta con ver. ¡Ver, sin comprender, es una felicidad! Lee poesía para que tus ojos se abran”. Para Alves, leer un poema es aprender a mirar, es una experiencia iniciática, casi mística.

Y en ese punto ofrece sus recomendaciones específicas, algunos de los nombres que resultaron significativos en su caminar como lector de poesía. El orden en que aparecen no es de ninguna manera aleatorio, aunque en esta ocasión sólo mencionó autores/as de habla portuguesa: Cecília Meireles (1901-1964) y Adélia Prado (1935) en primer lugar, autoras cuya obra citó persistentemente. Alberto Caeiro, heterónimo del portugués Fernando Pessoa (1888-1935), con quien se identificó muchísimo por su levedad y tendencias panteístas. Mário Quintana (1906-1994), Lya Luft (1938), Maria Antônia de Oliveira (1964), a quienes leyó en una etapa posterior. Se trata de una lista ya filtrada por los años y enriquecida por largos periodos de lectura en la que le acompañaron muchos amigos de una tertulia semanal en Campinas. “Lee poesía para ver mejor. Lee poesía para estar tranquilo. Lee poesía para embellecerte. Lee poesía para aprender a oír. ¿Has pensado que, tal vez, hablas demasiado?”. Así concluye la crónica, en un tono amable, pero firme, de invitación.

En una memorable ponencia de 1981, Alves se quejó amargamente de la nula presencia protestante en la literatura de su país, algo inexplicable dada la antigüedad de las iglesias históricas y el aceptable nivel cultural que las había caracterizado. Sus palabras fueron puntillosas y duras:

Yo esperaría, por otra parte, que el protestantismo hubiese hecho alguna contribución a la literatura brasileña. Hemos buscado una gran novela... pero en vano [...] lo que sucede es que la literatura no puede sobrevivir en medio de esta obsesión didáctica, porque su vocación es estética, contemplativa, y su valor es tanto más grande mientras más grande es su capacidad para producir estructuras paradigmáticas a través de las cuales las figuras y ligámenes ocultos de lo cotidiano son observados. Los literatos protestantes no pueden huir del hechizo de sus hábitos de pensamiento. Sus novelas son sermones travestidos y lecciones de escuela dominical enmascaradas. Al final, la gracia de Dios triunfa siempre, los creyentes son recompensados y la impiedad es castigada. El último capítulo no necesita ser leído.[3]

De ahí que, cuando por fin se transformó su estilo, aproximadamente en 1983, poco después de publicar La teología como juego y Creo en la resurrección del cuerpo, pareció asumir él mismo la tarea de superar su estilo anterior para entrar de lleno en el campo literario. En sus primeros libros, la poesía estaba totalmente ausente y es hasta ¿Qué es la religión? (1981), y sobre todo de Poesía, profecía, magia (1983), que finalmente dio el salto hacia la expresión de estirpe poética de forma definitiva. En ¿Qué es la religión?, Alves cita textos y poemas de Archibald McLeish (Estados Unidos, 1892-1982), Cecilia Meireles y el visionario inglés William Blake (1757-1827). Del primero, al referirse a quienes construyen cosas mediante palabras, recuerda la siguiente frase: “Un poema debería ser palpable y mudo como un fruto redondo; no debería tener palabras como el vuelo de los pájaros, no debería significar nada sino simplemente… ser”. De Meireles incluye esta cita: “De un lado, la estrella eterna, y del otro la vacante incierta…”, al hablar de la búsqueda del sentido de la vida. Y de Blake son estos versos: “"Ver un mundo en un grano de arena / y un cielo en una flor silvestre,/ asegurar el infinito en la palma de la mano / y la eternidad en una hora”, que retomaría muchas veces (hasta darle título a dos de sus libros), a propósito de “la sensación inefable de eternidad e infinitud, de comunión con algo que nos trasciende, envuelve y contiene, como si fuese un útero materno de dimensiones cósmicas”. En ese libro aún es notoria la timidez con que se refiere a los poetas, quizá porque aún no se sentía del todo seguro al momento de abordarlos.

En 1990 fue invitado por la Universidad de Birmingham, Inglaterra, a dictar las Conferencias Edward Cadbury y aquel pequeño volumen (80 pp.) sería la base de las mismas, con las que daría comienzo, al publicarse ese mismo año bajo el título de The poet, the warrior, the prophet (El poeta, el guerrero, el profeta) a una obra que se transformaría con el paso del tiempo hasta convertirse en Lições de feitiçaria. Meditações sobre a poesia (Lecciones de hechicería. Meditaciones sobre la poesía), en 2003, posterior a la publicación de la versión portuguesa en 1992. Ese libro contiene la quintaesencia de lo que su autor desarrolló en toda su vida sobre las realidades humanas influidas por una perspectiva poética. Estaba a punto de descubrir a T.S. Eliot (1888-1965), el gran poeta anglo-estadunidense, Premio Nobel en 1948, quien lo sacudiría aún más, y a Octavio Paz, quien con las ideas expuestas en El arco y la lira completaría el panorama estético del también autor de Protestantismo y represión.



[1] R. Alves, “Cultura de la vida”, en Simón Espinosa, comp., Hacia una cultura de la paz. Caracas, CLAI-Comisión Sudamericana de Paz-Nueva Sociedad, 1989, p. 15. Énfasis agregado. Este texto fue presentado en una reunión auspiciada por los dos organismos coeditores, en abril de 1989. Debo el acceso al mismo a Arturo Arce Villegas e Israel Flores Olmos.
[2] R. Alves, “Poesía”, en Cuarto de cachivaches. México, Ediciones Dabar, 2009, p. 89.
[3] R. Alves, “Las ideas teológicas y sus caminos por los surcos institucionales del protestantismo brasileño”, en P. Richard, ed., Materiales para una historia de la teología en América Latina. San José, Departamento de Investigaciones Educativas, 1981, pp. 345-346. Recogido también en Dogmatismo y tolerancia [1982]. Bilbao, Ediciones Mensajero, 2007 (La barca de Pedro, 23).

Rubem Alves, el teólogo que escapó del gueto de las iglesias

http://sociedad.elpais.com/sociedad/2014/07/27/actualidad/1406417217_489051.html

LUCAS LACAZ (FOLHAPRESS)
JUAN JOSÉ TAMAYO
La muerte del brasileño Rubem Alves el pasado 19 de julio ha teñido de luto a la teología latinoamericana, y muy especialmente a la teología de la liberación, de la que algunos autores le consideran el padre y fue, ciertamente, uno de sus principales iniciadores, junto con otras grandes figuras como José Comblin, José Míguez Bonino, Juan Luis Segundo, Gustavo Gutiérrez, Segundo Galilea y sus compatriotas Hugo Assmann y Leonardo Boff. Su tesis doctoral, Hacia una teología de la liberación humana, publicada con el título de Teología de la esperanza humana,causó un profundo impacto en el panorama filosófico, teológico y científico-social mundial. La editorial Sígueme la publicó en 1973 con el título Cristianismo, ¿opio o liberación? con una presentación del teólogo norteamericano Harvey Cox, autor de la paradigmática obra La ciudad secular, que definía a Alves como un intelectual que sabía “combinar el corazón apasionado y comprometido del Tercer Mundo con una inteligencia refinada” y cuya mente “puede agrupar, como herencia, bajo un solo enfoque, las opiniones de Franz Fanon, Karl Marx, Jürgen Moltmann, Mario Savio, Karl Barth y Paul Lehmann, y enriquecerlos con las ideas de intelectuales latinoamericanos, tal como como Esdras Costra y Paulo Freire”.
¿Se extralimitaba Cox con tal reconocimiento? Creo que no. Alves se convirtió muy pronto en referencia obligada para la elaboración de una teoría crítica de la civilización actual y de la teología, tanto tradicional como moderna, así como un crítico radical de la dictadura brasileña y del fundamentalismo de las iglesias cristianas. Por ambas críticas tuvo que pagar un doble precio: la persecución de la dictadura de su país que le obligó a exiliarse y la expulsión de la Iglesia Presbiteriana, a la que pertenecía. Con todo, fue esta una condena beneficiosa, ya que, según la interpretación de Leopoldo Cervantes-Ortiz, “Alves salió para siempre del gueto de las iglesias para entrar de lleno en el terreno de la imaginación”. Es la experiencia que hemos vivido muchos teólogos y teólogas heterodoxos de nuestras iglesias, que nos ha conducido por los caminos de una teología inclusiva, interreligiosa, intercultural, interétnica e interdisciplinar, que nos ha enriquecido humana y religiosamente y a la que nunca hubiéramos llegado si nos hubiéramos instalado en el regazo eclesiástico materno.
Alves incorpora un nuevo lenguaje a la teología: el del humanismo político, que es el de la esperanza; el de la libertad, que anuncia un ser humano y una comunidad alternativos; el histórico, que habla de los sufrimientos, los gozos y las esperanzas de los hombres; el secular y secularizado, que abandona la metafísica, “lo religioso” y los absolutos eclesiásticos, pero también los absolutos históricos; el iconoclasta, subversivo y de la imaginación, que rechaza los hechos como límite, da nombre a las cosas ausentes, rompe el hechizo de las cosas presentes y abre caminos hacia el futuro. Es, en fin, el lenguaje de la esperanza, que define como “el presentimiento de que la imaginación es más real que la realidad y que la realidad es menos real de lo que parece”. ¡Maravillosa definición!
Alves fue un pensador interdisciplinar que transitó por la teología, la literatura, la filosofía política, el psicoanálisis, las ciencias sociales y la educación. Todas sus obras son un intento, creo que logrado, de construir una teología lúdico-poética-erótica centrada en el cuerpo y en la vida en su dimensión real. El lugar de la teología es la vida cotidiana, no la academia. Teología y vida interactúan. Teología y literatura están en diálogo permanente. Su hablar de Dios y con Dios tiene como principales interlocutores a los poetas y otros autores literarios. Una de sus sugerencias finales fue sustituir la palabra teología por teo-poesía. Creo que habría que atenderla en beneficio de la teología y de la poesía. Solo por eso merece un lugar destacado en ambos lares.
Juan José Tamayo es profesor de la Universidad Carlos III de Madrid y autor de Teología de la liberación en el nuevo escenario político y religioso, Tirant lo Blanch, 2011.

Boff, Rubem Alves e Lisboa fazem reflexões sobre a espiritualidade

www.unicamp.br/unicamp/noticias/boff-rubem-alves-e-lisboa-fazem-reflex%C3%B5es-sobre-espiritualidade-0

14/06/2004 - 18:00

    15 de junho de 2004 - Deus inventou a Igreja e, o diabo, o clero. Com estas palavras, o editor Valter Castelli introduziu hoje, no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, alguns dados biográficos sobre o teólogo Leonardo Boff. Este, em particular, foi uma herança deixada pelo pai do ex-jesuíta. Segundo Castelli, talvez esta mentalidade tenha influenciado Boff a tomar uma decisão muito radical, na época: abandonar a Igreja Católica e formar um grande movimento – a Teologia da Libertação (uma linha progressista da Igreja Católica), fenômeno mundial que conta com mais de 100 mil comunidades de base e perto de um milhão de unidades menores.
    O teólogo esteve na Unicamp para um debate sobre espiritualidade com o educador Rubem Alves, professor aposentado da Universidade, e o jornalista Luiz Carlos Lisboa, todos escritores. Eles também vieram para lançar seus livros Novas Fronteiras da Igreja, de Leonardo Boff; Se eu pudesse viver minha vida novamente... , de Rubem Alves; e O som do silêncio, de Luiz Carlos Lisboa. Uma segunda edição deste evento acontecerá hoje, às 19 horas, na loja Fnac, do Parque Dom Pedro Shopping. A entrada é franca. Boff confessou que manteve uma briga "intestina" com a Igreja e chegou a sentir ódio de uma autoridade eclesiástica. "Fui buscar refúgio na natureza para conseguir me libertar deste sentimento. Nutri muita tristeza, mas não sofri amargura, pois esta corrói como um câncer", descreve. 

    Em seu livro Novas Fronteiras da Igreja, a tese de base da obra parte da abordagem de que a Igreja é fruto de uma decisão histórica do século 3 d.C. "E carrega ainda a mesma função política de apaziguar, porém deixa de evangelizar os pobres, deixando-os às margens da sociedade", explica. Boff conta que hoje vive outro momento histórico. A Igreja que acredita é aquela que vive em mobilização e libertação. "Tentamos reinventar a Igreja." O teólogo acredita na força do novo cristianismo, o qual tem muita chance de acompanhar sua época planetária. "Que a nossa chama interior não seja boa somente para nós", conclui.
    Convenções - Rubem Alves, hoje vivendo mais a escrita e a poesia, revela que sua experiência religiosa foi suficiente para que fugisse ao dogmatismo. "A universidade age consoante à religião. Os 'deuses' são travestis, que mudam de roupas a cada passo. Na cátedra, somos obrigados a seguir à risca os princípios científicos e sua linguagem, além de incorporar uma rigidez de atitudes extrema", exemplifica. Ele comenta que comecou a ser escritor depois que saiu da universidade e que deu asas aos seus impulsos. "Fiz isso e me sinto feliz. Não quero consertar nada mais em minha vida, nem os erros. Mas não vendo fórmulas prontas. Só cheguei a este ponto, pois tudo ocorreu de modo contrário ao que planejei", revela.
    Curiosamente, quando Rubem Alves se encaminhava para o debate na Unicamp, ele se perdeu no campus. O fato não teria ocorrido em anos anteriores como professor da Universidade, local por onde andava com desenvoltura. Este foi um de seus comentários assumindo a nova fase de escritor e poeta. O Som do Silêncio, esclarece Lisboa, reúne pensamentos e artigos publicados no Jornal O Estado de São Paulo, ao longo de 30 anos como colaborador do veículo. Nele, o escritor responde a uma questão instigante: "observar é fundamental, mas não se deve perder de foco quem é o observador", adverte. "É uma volta sobre si mesmo".
    Sinopse O som do silêncio, de Lisboa, permite ao leitor realizar viagens em busca do eu interior. O autor propõe meditações em pequenos textos com temas variados, geralmente inspirados na natureza e em tudo o que rodeia o ser humano – o som, a lua, o sol, a presença do ausente, o amor, as emoções, a capacidade de sentir, a solidão e o estar só. O livro propõe uma interpretação diferente a cada momento, a cada leitura. Em Se eu pudesse viver minha vida novamente..., Rubem Alves viaja no tempo e no espaço e lança o olhar sobre os sonhos, as perdas e ganhos, detendo-se em pequenos detalhes que fazem toda a diferença, "recorrendo a memórias, ora felizes, ora dolorosas, quase sempre com um toque de nostalgia, que não é arrependimento, mas sim uma saudade gostosa de algo vivido em plenitude".
    Fundamentado nos conceitos conciliares (Vaticano II) de Igreja-Sociedade (que privilegia a hierarquia) e de Igreja-comunhão (que valoriza a participação leiga e o povo de Deus), Leonardo Boff propõe uma ponte eficaz entre essas duas vivências, segundo moldes amplamente expostos no livro Novas Fronteiras da Igreja, que já ocorrem na América Latina. Sob a proposição de que "é melhor que errem os teólogos do que os pastores. Há de se evitar as vanguardas teológicas que pretendem pensar em lugar do povo cristão", propõe as premissas da teologia libertadora, formulando, no concreto, "um novo modo de toda a Igreja ser" e anunciando, assim, as novas fronteiras da Igreja, o futuro de um povo a caminho.
    (Isabel Gardenal)
    Fotos digitais: Neldo Cantanti

    Unicamp perde Rubem Alves

    19/07/2014 - 15:56


    O filósofo, escritor, psicanalista e educador Rubem Alves, professor emérito da Unicamp, faleceu no final da manhã deste sábado (19). Ele estava internado no hospital Centro Médico em função de  insuficiência respiratória. Seu corpo foi velado na Câmara Municipal de Campinas e cremado em Guarulhos, no domingo (20). Rubem Alves era docente aposentado do Departamento de Filosofia e História da Educação (Defhe), da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp. Recebeu em 1995 o título de professor emérito pela Universidade, distinção concedida a docentes que prestaram relevantes serviços à ciência e à instituição. A Unicamp decretou nesta segunda-feira, dia 21, luto oficial por três dias em razão do falecimento do escritor e Professor Emérito Rubem Alves. 
    Rubem Alves tinha um grande número de publicações, entre crônicas, ensaios, contos e livros. Religião, educação, questões da existência estavam entre os temais mais frequentes em suas obras, muitas voltadas para crianças. Seus livros foram traduzidos para várias línguas, como o inglês, o francês, o italiano, o espanhol, o romeno e o alemão. Sua produção literária e acadêmica foi alvo de várias teses, dissertações e monografias.
    Era bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, mestre em teologia e doutor emfilosofia pelo Seminário Teológico de Princeton (EUA). Além da Faculdade de Educação da Unicamp, Rubem Alves lecionou no Instituto Presbiteriano Gammon, na cidade de Lavras (MG), no Seminário Presbiteriano de Campinas, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Unesp de Rio Claro. Era mineiro de Boa Esperança.
    RTV apresenta bate-papo poéticoentre Rubem Alves e Adelia Prado
    A RTV Unicamp reapresenta o vídeo: "Poesia - 'bate-papo' entre Rubem Alves e Adélia Prado". Nesse encontro, gravado em novembro de 1990, o educador e escritor Rubem Alves conversa com a poetisa mineira Adelia Prado sobre literatura, silêncio poético,prosa, licença poética, emoção, produção literária, arte e neurose. Segundo Rubem Alves, “A beleza da poesia não tem a ver com aquilo que está acontecendo no momento, mas tem a ver com aquilo que acontece sempre na alma da gente. Quando a gente vê a poesia, a gente volta às origens da própria alma, do próprio corpo. Com a poesia a gente está lidando com a verdade da gente”, afirma. Vale a pena conferir esse bate-papo, verdadeira aula de poesia. Veja o link.
     
    Mais sobre Rubem Alves

    Un discurso inolvidable de graduación

    www.unicamp.br/unicamp/videos/2014/07/19/e-por-falar-em-sonho-discurso-de-rubem-alves-formatura-unicamp-1990
    www.youtube.com/watch?v=qk58UbaH-iM